A mulher primitiva sentia-se grávida mais facilmente do que consegue hoje a civilizada, que tende a pensar-se grávida, fazer-se grávida. A evolução da ciência médica tem salvado vidas, o que é inquestionável, mas também tem ajudado a mulher a desacreditar no potencial humano de luta pela sobrevivência, tão bem significado pelo desencadeamento de um parto natural.
A gravidez cada dia se torna menos um fato acidental e mais uma escolha pensada, refletida, adiada e finalmente escolhida ou renegada. Tudo é permitido, mas os sentimentos não são tolerados. Os desejos, vontades súbitas de comer algo inusitado, por exemplo, são encarados como bobagem. Esses desejos são explicados fisiologicamente, pois as mudanças hormonais provocam um maior aguçamento dos sentidos. A mulher grávida fica mais sensível e é natural que queira voltar-se para si mesma. Sente-se fragilizada, porque vive somaticamente a distenção máxima de deixar crescer dentro se si um ser, que ficará tão perfeito a ponto de precisar sair, lutando pela própria sobrevivência. Cabe à ela receber essa missão ancestral, permitindo que o bebê passe são e salvo para a vida do lado de fora do corpo da sua mãe.
É um grande processo, lento e profundo; poderia ser mais respeitado, melhor considerado, mas exige-se muito da mulher grávida. Ela precisa demonstrar que está feliz por estar grávida, por exemplo, embora os sentimentos naturais fabricados durante os três primeiros meses, mesmo quando a gravidez é desejada, sejam de instrospecção, uma certa preocupação, medos, planos, medo de fazer planos, sonhos, sensações nunca vividas antes e um universo de sentimentos desconhecidos que transbordam somaticamente em enjôos, dores de cabeça, sonolência, prisão de ventre entre outros, milenarmente conhecidos.
Laura do Espírito Santo, mestra em enfermagem-obstétrica, que há 23 anos acompanha partos, revela que os sintomas da gravidez são explicados fisiologicamente devido ao aumento dos hormônios -- progesterona e estrogênio -- no corpo fecundado. “Os enjôos, por exemplo, ocorrem porque a presença dos hormônios, faz com que haja um relaxamento do sistema gástrico e conseqüentemente uma maior salivação; mas a forma como a mulher, desde o princípio, recebe os sintomas aprendendo a lidar com eles, é fundamental para o bom desenvolvimento da gravidez e do parto”, defende. Os sintomas da gravidez exigem que a mulher se adapte a uma nova forma de ser e estar no mundo. Mas nem sempre a vida psíquica dá conta de receber e decodificar as transformações que o corpo físico está vivendo.
Os sintomas são resultados das relações entre as camadas que nos habitam. Quando as camadas neural, visceral e muscular não se comunicam ou entram em conflito, surge o sintoma. Quando ele é combatido a pessoa fica impossibilitada de entender o que o corpo estava tentando dizer. O cérebro não pode decodificar adequadamente as mensagens enviadas pelo corpo quando sofre invasões químicas externas.
A dor de cabeça não está ali para ser combatida com um analgésico. Está para ser compreendida. O corpo pede para relaxar na gravidez, exige que suas necessidades sejam atendidas ou a dor de cabeça não compreendida pode se transformar em hipertensão, risco de pré-eclâmpsia, parto expulsivo, cesariana. Os enjôos se apresentam para serem decifrados, promovidos a um novo status: sensibilidade olfativa aguçada.
“Para acolher bem o filho, a mulher necessita sentir-se segura dentro de si mesma...se ela denigre seu próprio corpo e passa a ter uma baixa auto-estima, tenderá a sentir-se predominantemente ruim por dentro, julgando-se incapaz de fazer bons bebês, escreve Maria Teresa Maldonado, mestre em psicologia clínica, em Psicossomática Hoje (Artes Médicas, Porto Alegre, 1992).
Acreditar-se incapaz de gerar um bom bebê, é acreditar que não se é capaz de colocá-lo a salvo no mundo e ainda dar conta da própria sobrevivência. Como é difícil sentir! Sentir um bebê fecundado é mais do que passar hidratante na barriga, conversar com ele, combinar número de chutes para determinadas perguntas. Esses modos de comunicação são muito superficiais, pois o que ocorre nas camadas mais profundas do corpo e da mente da mulher, fabrica um novo universo, totalmente diferente de tudo o que já sentiu. E isso dá medo. Um medo que só passa, de verdade, na hora em que a mulher dá à luz. Esse medo precisa ser vivido, compreendido, aos poucos, desde o início.
Os sintomas são os mestres e cada mulher tem os seus. O corpo é uma máquina muito bem preparada para dar conta das situações em que se mete, mas é muito mais do que um corpo e um cérebro em funcionamento neuroquímico. Ele é regido pelos sentimentos e emoções. É bem regido quando a pessoa se permite sentir e expressar seus afetos. É um corpo trancado, sinapses travadas no cérebro, quando bloqueia a diversidade de seus sentimentos.
Em sua tese de livre-docência, “A Psiquiatria Atual como Psicobiologia”, afirma o Dr. Danilo Perestrello: “Dia a dia, os vários fatos observados na prática clínica evidenciam que soma e psiquismo formam uma só unidade (...) Impõe-se, pois, a noção do homem como unidade psicossomática”. Os enjôos do primeiro trimestre, as cólicas eventuais, dores de cabeça, náuseas, sentimentos de solidão, são preparadores do processo todo que ainda vai se desenrolar.
Aceitar essas mensagens do corpo é entregar-se para o corpo grávido, fecundado. Uma mulher grávida pode receber tão abertamente seus enjôos a ponto de descobrir um aumento da sensibilidade olfativa. Em vez de sentir-se enjoada, percebe que prefere alguns cheiros a outros, que está diferente do que era, mas não necessariamente inadequada, vítima de sintomas que precisam ser combatidos a qualquer preço.
A paciência que ela precisará para ser mãe de um bebê começa na barriga. A mulher grávida necessita desenvolver paciência com seu corpo de grávida. E isso significa aceitar as mudanças, percebê-las, entendê-las. Uma mulher pode sentir, pensar e responsabilizar-se por sua gravidez mantendo um contato profundo com seus sentimentos, sensações e reações espontâneas, ou pode não tolerar certas mudanças condicionais do estado grávido e simplesmente passar a gravidez inteira controlando os sintomas ou pior, lutando contra eles.
Existem várias maneiras de controlar os sintomas e o tecnicismo que cerca o acompanhamento médico da grávida é um fator agravante, mas principalmente a curiosidade mórbida, típica da cultura ocidental atual. O medo de morrer, de não conseguir colocar o filho a salvo no mundo, ou de que o bebê nasça com problemas, por exemplo, transformou a grávida civilizada em uma especuladora da gravidez de maneira invertida, por isso mórbida.
Em vez de promover a aceitação interna e solitária da situação fortalecendo-se para a vida, preparando-se para o desafio cheio de subjetividades do parto, quer respostas, garantias, controle da situação durante os nove meses. Os medos naturais do primeiro trimestre, do segundo, do terceiro e do próprio desencadeamento do parto, que podem ser vividos e vencidos, são apaziguados pelas garantias. Quando chega a hora H, fica impossível parir a partir de um corpo que não amadureceu integralmente. Ele está pronto do ponto de vista fisiológico, mas não do emocional, cortical.
O momento do parto permite que a mãe tenha um insight gigante. Uma elaboração da sua importância no mundo. Seu corpo e sua mente dão um salto para a próxima etapa, entram preparados para a nova fase. Mãe e bebê sentem-se seguros e já estabelecem uma relação de confiança mútua para os próximos desafios da sobrevivência.
Sentir torna o pensar e o fazer absolutamente lógicos, mas exige muita responsabilidade e disponibilidade emocional. Preocupar-se fazendo ou fazer preocupando-se é o calcanhar de Aquiles que impede a vivência dos sentimentos na gravidez e no desencadeamento do parto. É claro que quem sentiu a gravidez e conseguiu entregar-se para o trabalho de parto, entra mais preparada na maternidade, mais segura do seu lugar de mãe.
Quando os sintomas são combatidos quimicamente, o desenvolvimento somático e emocional se separa. Cria-se uma dualidade interna que tende a afetar o desencadeamento do parto -- o corolário ideal de todo o processo. Os medicamentos regulam o funcionamento do corpo em direção ao que seria supostamente normal, mas apesar de não ser a gravidez um estado patológico, está longe de ser um estado fisiológico normal ou ideal.
“Quando a mãe fica ansiosa demais, por exemplo, é possível que desenvolva hipertensão. Ela pode desenvolver uma hipertensão tremenda, chegando a precisar de uma intervenção cirúrgica, ou pode aprender a diminuir sua ansiedade, aceitando a proximidade do parto com mais tranqüilidade, o que controlará os níveis da pressão arterial”, explica Laura do Espírito Santo, professora de enfermagem obstetra na Universidade Federal do Espírito Santo.
“Quando eu vejo uma parturiente muito nervosa e não consigo acalmá-la, quando ela está totalmente fora da situação, eu nem pego o caso”, conta Laura que acha que a tranqüilidade e o interesse da mãe pelo próprio processo é o mais importante para um bom desencadeamento do parto.
Quando uma gravidez é assintomática a mulher afirma não sentir nada, não temer nada, não sonhar nada. Isso significa que os processos somático-emocionais estão sofrendo bloqueios ainda mais rígidos do que no primeiro caso, em que ela busca combater os sintomas.
Não sentir é travar uma luta interna ainda mais severa. O desencadeamento do parto tenderá a sofrer bloqueios, repetindo o histórico da gravidez. Se a mulher não sente nada, não há nada que ela possa fazer e então se faz necessária uma intervenção: a cirurgia.
Passar uma gravidez assim é não sair do estado de pânico. Um medo paralisante que pode explicar muitos casos de bebês que passam da hora sem que a mãe entre em trabalho de parto. A máscara está na gravidez feliz, perfeita, com sintomas pouco vividos, pouco sentidos.
Quando os sintomas são muito intensos os enjôos não são suportáveis, ultrapassando os primeiros três meses; quando as dores de cabeça não desaparecem com uma boa massagem e alimentação saudável, quando a pressão vai às alturas, ultrapassando os níveis de tolerância; enfim, quando os sintomas literalmente não são suportados, significa que a situação de estar grávida é muito intensa e precisa ser melhor compreendida e/ou aceita.
O medo de gestar se reflete também na hora do parto. Tanto pode ocorrer aí um trabalho de parto rápido, quanto uma cesariana. Como a mulher entrou em contato com seus processos, ainda que de maneira distorcida, existe uma possibilidade maior de que consiga dar vazão à expressão final de tudo o que viveu. O drama pode permear a situação em um parto traumático ou por meio de uma cirurgia.
Se ainda nas últimas semanas o terror dos sintomas não deu lugar à paz, é certamente o caso de procurar ajuda de pessoas especializadas. A mulher grávida naturalmente busca orientação de pessoas mais experientes – a mãe, a tia, a irmã, a amiga – que já passaram pelo processo de gestar uma criança. A troca de informações permite conferir a veracidade de cada sintoma. Mas se a mulher grávida permanece confusa, perdida e desequilibrada, é mais do que natural procurar ajuda terapêutica. É só perguntar que se chega a alguém preparado para ajudar. É fundamental, no entanto, que a mulher compreenda que, uma vez grávida, não lhe cabe esperar que alguém venha salvá-la: o papel de mãe agora é seu.
Quando um ser humano feminino se vê no centro do palco -- colocar para fora de si alguém que gerou, formou, alimentou e está pronto para vir ao mundo -- sente uma dor emocional profunda. Quando a mulher recebe essa dor emocional e relaxa seu corpo, entregando-se às próprias sensações, entra em trabalho de parto. É fantástico. É maravilhoso. É totalmente borbulhante transformar uma dor desconhecida, jamais sentida, no mais intenso de todos os prazeres.
Os sintomas são os mestres e não há regras, receitas e modelos, pois o autoconhecimento é uma experiência singular, própria de cada pessoa.
A autora:Cláudia Rodrigues é jornalista e vive em Florianópolis, SCE
-mail- claudiar@th.com.br
http://www.amigasdoparto.com.br/ac028.html
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Sintomas-mestres, os doutores emocionais
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quarta-feira, 14 de maio de 2008
40 razões para ter filho
Na França, a escritora Corinne Maier lançou um livro enumerando as 40 razões para NÃO ter filhos. Virou best-seller. A onda nesse sentido é tão forte que até um insólito movimento pela extinção voluntária da humanidade anda ganhando espaço. Como eles, a gente também acha que não ter filho é o fim do mundo, mas por razões beeeeeeem diferentes...
Podemos dizer, sem medo, que filho, hoje em dia, é escolha. Escolha porque a gente tem mil recursos anticoncepcionais para evitá-los, porque as técnicas de reprodução assistida estão aí, poderosas, ajudando muito quem tem dificuldades fisiológicas, porque sempre existe a opção superbacana de adotar uma criança.É óbvio que ter filho não é uma obrigação. Muitas vezes, não rola mesmo. Faltam condições financeiras, físicas ou emocionais – e é isso aí, a vida é assim.
Mas o que a gente vem observando é que as famílias estão cada vez menores e muitos casais simplesmente optam por não ter filhos e ponto. Há 40 anos, as mulheres queriam casar logo, antes dos 21 anos, e ter pelo menos três filhos. A média de filhos por família chegava a seis! Hoje, está na casa dos 2,4.
Na França, acaba de sair este livro defendendo o direito de não ter filhos: No Kid, Quarante Raisons de Nes Pas Avoir d’Enfant, da franco-suíça Corinne Maier. O que ela basicamente diz é que a sociedade atual espera muito dos pais. E questiona: “Não há outros meios de dar sentido à vida?”
Se a gente levar essa conversa ao extremo, vamos dar de cara até com o Movimento de Extinção Voluntária da Humanidade, que existe sim, é real, e anda convocando os seres humanos a parar de se reproduzir, causando a extinção gradual da espécie. A gente aqui na Pais e Filhos acha isso tudo uma loucura.
Para nós, não ter filhos é desperdiçar uma oportunidade luxuosa de nos tornarmos seres humanos melhores.
Listar 40 razões para ter filhos foi tarefa fácil demais. Elas estão aí. Poderíamos fazer mais 40 e ainda outras 40, mas este já é um bom começo.
1. Por que você quer. E muitoA gente não acha que ninguém é obrigado a ter filho, claro. Só tem de ter mesmo quem quer de verdade. E hoje isso é mais do que possível. A pílula é um pouco mais velha que a Pais e Filhos – chegou ao Brasil em 1962. Mesmo com todos os recursos que existem, 20% dos bebês no país nascem de mães com menos de 20 anos, e tem coisa errada aí. A gravidez nasce de um desejo (pode ser o de ter um lugar dentro da sociedade), e, para muitas jovens, acaba sendo o de ser mãe. O que a gente defende é que esse desejo seja consciente e venha na hora certa. Filho só pode ter a função de ser filho.
2. Para deixar de ser só filhoE crescer! Básico: se você não tem filho, nunca deixa de ser filho. E aí, o seu crescimento é mais lento e mais difícil. Claro ue a gente não deixa de ser filho nunca, mas deixar de ser SÓ filho amplia, abre possibilidades novas, importantes, ricas. Filho nos traz essa oportunidade de nos tornarmos adultos de verdade.
3. Para entender melhor seus paisPaul Reiser, da série Mad About You, tem um livro sensacional sobre a paternidade, chamado Vida de Bebê. Na dedicatória, ele entrega: “Para meus pais, com todo o amor do mundo. Acho que agora eu entendi”.
4. Para descobrir uma imensa e surpreendente capacidade de amarQuando temos filho, somos apresentados a esse tal de amor incondicional. “Passamos por uma renovação e ampliação do repertório emocional, que é o que faz a vida interessante”, diz a psicoterapeuta Lidia Aratangy, mãe de Claudia, Silvia, Ucha e Sergio.
5. Para incluir mais gente numa história de amor que dá certoSer casado sem filho é quase como ser solteiro: pode não fazer almoço um dia e tudo bem etc. etc. etc. Com criança no pedaço, a casa tem de ser reorganizada, não dá mais pra ter só água na geladeira... O mais importante: você precisa dividir e respeitar as decisões do parceiro sobre o filho também. Se tiver bases sólidas, a união pode ficar mais forte com tudo isso. Vocês deixaram de ser casal para ser família. Um grande e maravilhoso passo! E mesmo quem tem filho sozinho: o filho traz esse sentido de família e a gente valoriza isso demais.
6. Para deixar de ser adolescente Hoje, a gente vive mais e tem gente dizendo que os 30 são os novos 20, mas não dá para usar isso como desculpa para não amadurecer. Na adolescência, alguns de nós juramos que nunca vamos ter filhos, coisa da fase mesmo. O escritor britânico Ian Sansom, autor do livro De A a Z, A Verdade Sobre os Bebês, escreve: “Existe algo esquisito nas famílias. Existe algo triste nas famílias. Existe algo tão triste nas famílias que nos faz sair correndo para formar outras famílias.” É meio dramático, mas mostra que é possível reinventar a nossa história, outra lição que os filhos nos dão...
7. Para sentir o poder de gerar outra pessoaSaber que você pode gerar um novo ser é mágico. Não é à toa que as mulheres sempre foram vistas assim meio como bruxas, exatamente por causa disso. Ver a barriga crescer, sentir os primeiros movimentos da criança, é incrível. Apesar de a gente achar que, no fundo, no fundo, gravidez não faz ninguém ser mãe de verdade. É uma delícia e tal, mas, na hora que o bebê nasce é que começa a história pra valer.
8. Para aprender a respeitar as diferençasPor mais que você seja rígido na educação, é bom baixar a bola: seu filho nunca vai ser exatamente da forma como você imagina – e ainda bem, aleluia! Se você prestar bem atenção, vai perceber isso desde o primeiro momento: na primeira hora em que pegamos a criança no colo, já vem a sensação meio estranha: “Nossa, ele é outra pessoa!”. Que bom que é. E perceber quem é essa pessoa é o melhor da história toda, é o grande lance. Descobrir o temperamento do seu filho, ir sacando como ele funciona, como reage, o que gosta, o que não gosta... Junto com isso, aprender a respeitar e ajudá-lo a ser do jeito dele é maravilhoso. E, se a gente conseguir levar um pouco dessa experiência pras outras relações que temos na vida, então... Nossa! Melhor ainda!
9. Pra se emocionar com as conquistas dele. A primeira vez que ele consegue engatinhar, andar... Quando escreve o nome, com as letras ao contrário ainda... Desde os anos 60, muita coisa mudou, somos a geração do “muito bem!” a cada passo da criança. Mas é importante saber que ele não vai ser o campeão sempre, claro. Então, deixe seu filho tentar, testar, errar. Acertar vai ser conseqüência. E o que importa é o processo, não esqueça que isso vale pros filhos também...
10. Para aprender que as coisas são como são, nem tudo é perfeito. E tudo bem! Ter filhos é golpe mortal no perfeccionismo, não tem jeito. As coisas vivem fugindo do roteiro o tempo todo. Você planeja dar a papinha ao meio-dia, ele cai no sono. Vai dar banho às 19h, ele já dormiu. Claro, a gente precisa ter organização, um mínimo de estrutura, mas também precisa aprender a se adaptar rapidinho, senão aí é que dança.
11. Para tomar mais cuidado com você mesmoNão é à toa que quem tem filho pequeno paga menos na hora de fazer o seguro do carro! As seguradoras sabem muito bem que esse público tem menos tendência a se acidentar, porque é mais cuidadoso mesmo. Quando recebemos o resultado positivo já cai a ficha de que, dali pra frente, você não está mais sozinho...
12. Aceitar a maturidade com tranqüilidadeA expectativa de vida cresce a passos largos. Hoje, é de 71,7 anos no Brasil. Em 1960, ficava na casa dos 50,4. Por outro lado, vivemos numa sociedade que supervaloriza a juventude. Mas a gente envelhece mesmo, e isso é muito bom, cada fase da vida tem sua beleza. Com os filhos, isso fica mais claro. A gente não precisa ser eternamente jovem, podemos curtir a juventude deles. A passagem do tempo ganha um outro sentido.
13. Para poder, um dia, ser avó ou avôClaro que ser avó ou avô não depende da gente, depende de os filhos quererem ser pais. Mas, se a gente fizer a nossa parte direitinho, as chances crescem. Se não tivermos filhos, por exemplo... A chance fica nula de verdade.
14. Para cuidar de alguém “Um dia, há muitos anos, encontrei uma garotinha de 3 anos que me perguntou: ‘Você tem filhos?’. ‘Não’, respondi. ‘Você tem cachorro?’ ‘Não’, disse. E ela: ′Então, afinal, do que você cuida?′”, nos conta o psicólogo André Trindade, pai de criação de Gabriel e Laura. Ele diz que criar, cuidar, fazer crescer, acompanhar, proteger e se responsabilizar por alguém alimentam a criatividade em nós. A gente concorda total.
15. Para deixar de ser o centro da própria vidaA criança é egocêntrica por definição. No começo, acha que o mundo e ela são a mesma coisa. Depois, acredita que o mundo gira em torno dela. Demora pra perceber que não é bem assim. Tem uns que não percebem nunca, aliás... Nem depois de grandes! Ter filho ajuda a fazer essa ficha cair.
16. Para rever suas prioridadesSegundo pesquisa feita pela psicóloga Cecília Russo Troiano, mãe de Beatriz e Gabriel, publicada no livro Vida de Equilibrista – Dores e Delícias da Mãe que Trabalha (ed. Cultrix), 30% das mães dizem que adiaram o plano de ter filhos por causa da carreira. O mundo mudou, as mulheres não trabalham só por escolha, mas por necessidade. Porém, como diz uma das entrevistadas de Cecilia, uma mãe do Rio Grande do Sul, “não ter filho por causa do trabalho não tem sentido”.
17. Ter um bom motivo para chegar mais cedo em casaFilho gosta de quantidade e qualidade. Aquele papo do “fico pouco tempo com meu filho, mas funciona” a gente sabe que não cola. É preciso estar esperto e não bobear: quanto mais tempo com eles, melhor. Férias juntos, então... Fundamental! Ou seja, o tempo passado junto é que é o grande luxo. E para ficar mais tempo com os filhos, temos de nos organizar no trabalho e fazer as coisas funcionarem melhor. É duro, mas... A verdade é que estamos bem no meio de uma transição. Se em 1976, só 20% das mulheres estavam no mercado de trabalho, hoje as trabalhadoras são mais da metade da população feminina no Brasil. Ainda são poucas as empresas que adotam horários flexíveis e programas de home office, mas elas começam a existir.
18. Ficar um tempo sem trabalharPra quem não pára nunca, é uma experiência única. A licença-maternidade obrigatória no Brasil tem quatro meses desde a Constituição de 1988. Está em tramitação um projeto de lei estendendo a licença para seis meses, desde que a companhia decida aderir voluntariamente ao esquema em troca de isenção fiscal. Cerca de 40 municípios já adotam a licença maior. A licença paternidade, hoje de cinco dias, seria de 15.
19. Sentir o prazer de amamentarEm 1975, aqui no Brasil, uma a cada duas mulheres amamentava o filho apenas até o segundo ou terceiro mês de vida. Hoje sabemos todos dos enormes benefícios do leite materno para a criança. E sentir que seu corpo é capaz de produzir o alimento de seu filho é uma experiência fantástica.
20. Sentir o prazer de dar de mamarSe não puder amamentar, não estresse, pelo amor de Deus. Não tem de ter culpa de nada, culpa só estraga. Faça da hora da mamadeira uma hora especial, gostosa, única, de intimidade e cumplicidade.
21. Para passar pela experiência do partoFoi durante os anos 70 que o índice de cesarianas no Brasil começou a viver este boom. Pra equilibrar o jogo, nos últimos anos vem crescendo o movimento pelo parto humanizado, com o mínimo de intervenção médica. De novo, não precisa radicalizar: anestesia está aí para ser usada sempre que necessário e ninguém aqui está defendendo sofrimento. O que a gente sabe é que, com ou sem ela, o parto é um daqueles momentos fundadores, em que a vida se renova e a gente nasce de novo, junto com o filho.
22. Para conhecer a pessoa mais linda do mundoO poeta alemão Hölderin dizia sobre a infância: "É integralmente aquilo que é e, portanto, é bela". Filho é sempre lindo. O nosso, muito mais que o dos outros, sempre. E tem de ser assim.
23. Para ouvir alguém te chamar de mãe ou paiPode parecer a coisa mais babaca do universo, mas que é demais, é. Não tem o que falar. Você sabe o que é isso...
24. Reviver um pouco da sua própria infância, ou tirar uma casquinha da infância deles...“Lembro das primeiras férias de verão com meus filhos, relembrei das minhas. São lembranças que voltam, deliciosamente”, conta nossa colunista Patrícia Broggi, mãe de Luca e Tiago. Ter de brincar com eles, desenhar, cantar, esperar o Papai Noel, a fada do Dente, ler histórias, ver filmes maravilhosos... Ah, que alegria! Você só tem a ganhar!
25. Comprar brinquedos incríveis para eles e para vocêEm 1894, um tal dr. L.E. Holt dizia, com a maior autoridade: “Com crianças de menos de 6 meses de idade não se deve brincar jamais. Nas idades posteriores, quanto menos se brincar, melhor”. Ainda bem que, hoje, a gente sabe que brincar é fundamental para eles. Volta e meia a gente usa isso como desculpa pra comprar aquele carrinho de controle remoto que eles vão adorar. E que você já adorou. Tudo bem, tá tudo certo. Afinal, esses brinquedos maravilhosos não existiam quando a gente era criança, certo? Então, por que não aproveitar também?
26. Para se renovar e rejuvenescerTer filho é comprovar a validade da lei do eterno retorno. “Acompanhar uma criança permite retomar em nós aquilo que fomos. Há uma sabedoria infantil que conta com a espontaneidade, com a vontade de descobrir o mundo e com a capacidade de brincar. Quando o adulto consegue recuperar em si essas atitudes, ele se beneficia enormemente”, diz o psicólogo André Trindade.
27. Para entender de uma vez que preocupação com ambiente não é coisa de ecochatoA gente sabe: as previsões são catastróficas. Metade da Amazônia pode dançar até 2030, temperatura subindo, calotas derretendo... Ter filho torna a coisa ainda mais urgente, porque a gente quer que o mundo exista pra eles, certo? O que não dá é para acreditar em tudo, se imobilizar e resolver que já acabou e não tem mais o que fazer. Tem, sim, e muito. Pra começar, dentro da sua casa mesmo, na sua vida cotidiana. As próprias crianças estão nos ensinando que tem de cuidar pra ter.
28. Para adquirir hábitos mais saudáveisCom criança em casa a gente revê tudo. Aprendemos, ou reaprendemos e confirmamos, que não precisa de açúcar porque fruta já é doce, que sal tem de ser bem pouquinho, trocamos fritura por grelhado, porque o médico falou, porque a gente leu que é bom. Hoje, estudando o histórico familiar, os pediatras conseguem prevenir uma série de problemas, fazendo ajustes na dieta: se há tendência a alergias, certos alimentos podem ser evitados etc. E, quando a gente vê, está comendo direito ese cuidando mais, junto com eles. A teoria tem muito mais chance de virar prática.
29. Para descobrir seu lado meio médicoSabe aquele talento que mãe tem pra saber o que a criança tem só de olhar e a gente acha impressionante? Logo logo você também passa a ter, você vai ver. Ninguém aqui está falando de se automedicar ou sair usando remédio que nem louca, a torto e a direito, nada disso. Tem de ligar pro médico sempre, isso é básico. Mas ao menos você fica conhecendo os sintomas e já passa o serviço mais completo. E, logo, você vai ser aquela pessoa no trabalho pra quem a colega pede pra ver se está com febre mesmo. Coisa de mãe. Ou pai.
30. Pra sentir um certo gostinho de continuidadeO comediante norte-americano Jerry Seinfeld, que a gente adora, disse uma vez: “Já sei o que esses bebês estão fazendo aí. Eles estão aí pra nos substituir”. É piada, óbvio, mas ter filhos, de certa forma, é apostar numa sucessão, em uma continuidade. Você assistiu ao filme Rei Leão? Sabe aquela coisa de pertencer, de estar dentro do ciclo da vida, de ser elo de uma cadeia? É por aí, e é bacana....
31. Descobrir que você sabe contar históriasA escritora e tradutora Lya Luft descobriu que sabia contar histórias para crianças depois que se tornou avó, e até já escreveu dois livros para crianças, em que a personagem principal é ela mesma, uma bruxa boa. Claro que não é todo mundo que tem o talento dela, mas, quando temos filho, parece que é quase natural: a gente se vê relembrando histórias da infância, inventando a partir do nada ou do mote que eles nos dão... E solta um pouco a imaginação, a fantasia... Lidar com o lúdico, né? Coisas que só fazem bem.
32. Para olhar para as coisas de novo, como pela primeira vez“Aprendi com meu filho de dez anos/que a poesia é a descoberta/das coisas que eu nunca vi”. Esses versos de Oswald de Andrade (1890-1954) resumem tudo o que a gente quer dizer. É fácil cair nessa cilada de crescer e ir deixando de se surpreender com as coisas e ligar um tipo de piloto-automático – tudo em nome de, sei lá, um suposto “facilitar a vida”, que, no final das contas, é perder o milagre que a vida é. O filho nos ajuda a trazer tudo isso de volta. O mundo ganha novos sentidos e tudo começa outra vez a cada nova descoberta dele e sua...
33. Ter um motivo para aprender a cozinhar Há 40 anos, a frase “já pode casar”, quando alguma mulher servia um prato saboroso, não era pejorativa, não. Mulher tinha de saber pilotar forno e fogão, era uma espécie de pré-requisito. Hoje a gente pira na hora que tem de fazer a primeira papinha do filho, é ou não é? Acontece que cozinhar pode ser uma enorme delícia e nunca é tarde pra aprender.
34. Porque o pai hoje participa de tudoNos anos 70, o pai ficava fora da sala de parto, não chegava nem perto de uma mamadeira, não pegava em fralda de jeito nenhum e era “chamado” só na hora de uma bronca mais pesada. Estranho? Na sua casa não é assim? Ainda bem! A pesquisa de Cecília Russo Troiano mostra que a coisa foi mudando aos poucos, sim, mas as mulheres ainda realizam a maior parte das tarefas. Por exemplo: enquanto 91% das mães levam o filho ao médico, só 4% dos pais fazem o mesmo!!! Ok, ok, falta bastante para as coisas se equilibrarem mais, mas o espaço foi aberto e isso é um ganho enorme.
35. Porque a medicina evoluiu muitoE isso é muito mais importante do que a gente pensa à primeira vista. Hoje é possível prevenir um monte de doenças, tem vacina contra gripe, rotavírus, hepatite... Se no final dos anos 60 os primeiros aparelhos de ultrasom ainda estavam chegando ao Brasil, hoje temos ultra-som 4D, os avanços das pesquisas de células-tronco não param de nos surpreender e se fala em terapias genéticas para parar doenças como o câncer. Temos mais é que comemorar, e muito.
36. Para sentir o que é ter alguém que confia 100% em vocêO que é confiar, o que é confiança? Você sabe direitinho a resposta – e sente o que é isso ali, na pele – quando tem uma criança dormindo no seu colo, totalmente entregue. É maravilhoso, assim como a responsabilidade, que até pode assustar, mas faz parte: ter filho é também aprender a lidar com isso.
37. Encarar o futuro de uma nova maneiraSim, porque, quando os filhos chegam, esse conceito deixa de ser uma abstração. A gente não pode mais só esperar que ele chegue; a gente tem de prepará-lo a cada dia. Pode ser nas coisas mais concretas, como se programando financeiramente, fazendo previdência, essas coisas. E também se preocupando em votar em políticos bacanas, entrando pra uma ONG, separando o lixo, o que for.
38. Para ter a enorme chance de se tornar um ser humano melhorNão adianta fazer discurso: criança se espelha no exemplo, não tem jeito. É como você é e como se comporta que vai fazer diferença. É no seu comportamento que seu filho está ligado e é o que ele vai registrando, não tem conversa nenhuma. Falar uma coisa e fazer outra não dá. Ter filho é agüentar a barra do que a gente é, as conseqüências de ser quem somos e das escolhas que fazemos.
39. Ter filho não é dar à luz, é receber iluminação diáriaFoi nossa colunista Tetê Pacheco, mãe de Bento e Otto, quem escreveu isso, aqui na Pais e Filhos. A gente assina embaixo. O tanto que se aprende, que nos modificamos e crescemos... É pra agradecer todo dia!
40. Porque seu filho é único e tudo que você sente em relação a ele é intraduzível...Tem gente que diz que a escolha de ter filhos é difícil porque é definitiva... Bem, definitivo, para nós, é não ter filhos! E cada um vai descobrir seu jeito de ser pai e mãe, não tem uma receita. Cada universo único que uma vida é. Nós, aqui da Pais e Filhos, só podemos mais uma vez dizer o que a gente vem falando desde sempre, até na missão da nossa revista: aproveite tudo que a maternidade ou a paternidade está te trazendo.
Retirado do site : http://liaflavia.multiply.com/journal/item/106
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terça-feira, 6 de maio de 2008
Nove meses de tranquilidade
Manter o peso com uma dieta equilibrada e fazer os exames do período pré-natal são algumas das condições para uma gestação sem problemas.
A gravidez planejada e desejada é fundamental para que os meses de gestação transcorram sem maiores sustos. “Antes de engravidar, a mulher deveria se submeter a exames (leia o quadro Antes de engravidar) para detectar a presença de eventuais doenças que podem prejudicar o desenvolvimento saudável do feto”, esclarece a ginecologista e obstetra Margareth Lopes de Paula, do Instituto de Gastroenterologia de São Paulo. Mas, como nem sempre isso é possível, é fundamental ir ao médico tão logo a gravidez seja confirmada. Existem muitas recomendações para essa fase da vida, que precisam ser colocadas em prática rapidamente. Tudo o que for possível deve ser feito para que a saúde da futura mamãe e da criança seja mantida. Pelo bem de todos.
Alimentação – A alimentação equilibrada da gestante é uma das principais armas contra baixo peso e malformações do sistema nervoso do bebê, parto prematuro, náuseas, azia, prisão de ventre e até depressão pós-parto. Nessa fase, é fundamental não só controlar o peso – a Organização Mundial de Saúde recomenda que a gestante engorde de nove quilos a 12,5 quilos – como assegurar a qualidade dos alimentos ingeridos e as necessidades nutricionais de cada trimestre.
No entanto, é preciso dosar os cuidados. O medo de engordar demais e perder as formas leva algumas mães a fazer dietas rígidas, que comprometem especialmente a saúde do bebê. Este é um erro grave. Claro que não se deve levar a sério a história de que uma mulher grávida deve comer por dois. Ela deve comer bem. Isso porque a desnutrição materna aumenta os riscos de a criança desenvolver doenças obstrutivas das vias aéreas superiores, como asma, conforme um amplo estudo publicado na revista científica Thorax. A má alimentação ainda aumenta as possibilidades de a criança ter diabetes, hipertensão e acidente vascular cerebral (avc) na vida adulta, de acordo com médicos da Universidade de Southampton, na Inglaterra. As consequências de hábitos alimentares errados, como os longos períodos de jejum, são mais sérias na gravidez. “Alterações metabólicas que ocorrem nessa fase prejudicam o trabalho do pâncreas e favorecem o aparecimento da diabete gestacional”, avisa o ginecologista e obstetra Alberto d’Auria, do Complexo Hospitalar São Luiz, em São Paulo. O médico alerta que a gestante não pode ficar mais de três horas sem comer. “O ideal é que a cada três horas a grávida consuma barras energéticas, torradas, frutas”, sugere.
A gravidez planejada e desejada é fundamental para que os meses de gestação transcorram sem maiores sustos. “Antes de engravidar, a mulher deveria se submeter a exames (leia o quadro Antes de engravidar) para detectar a presença de eventuais doenças que podem prejudicar o desenvolvimento saudável do feto”, esclarece a ginecologista e obstetra Margareth Lopes de Paula, do Instituto de Gastroenterologia de São Paulo. Mas, como nem sempre isso é possível, é fundamental ir ao médico tão logo a gravidez seja confirmada. Existem muitas recomendações para essa fase da vida, que precisam ser colocadas em prática rapidamente. Tudo o que for possível deve ser feito para que a saúde da futura mamãe e da criança seja mantida. Pelo bem de todos.
Alimentação – A alimentação equilibrada da gestante é uma das principais armas contra baixo peso e malformações do sistema nervoso do bebê, parto prematuro, náuseas, azia, prisão de ventre e até depressão pós-parto. Nessa fase, é fundamental não só controlar o peso – a Organização Mundial de Saúde recomenda que a gestante engorde de nove quilos a 12,5 quilos – como assegurar a qualidade dos alimentos ingeridos e as necessidades nutricionais de cada trimestre.
No entanto, é preciso dosar os cuidados. O medo de engordar demais e perder as formas leva algumas mães a fazer dietas rígidas, que comprometem especialmente a saúde do bebê. Este é um erro grave. Claro que não se deve levar a sério a história de que uma mulher grávida deve comer por dois. Ela deve comer bem. Isso porque a desnutrição materna aumenta os riscos de a criança desenvolver doenças obstrutivas das vias aéreas superiores, como asma, conforme um amplo estudo publicado na revista científica Thorax. A má alimentação ainda aumenta as possibilidades de a criança ter diabetes, hipertensão e acidente vascular cerebral (avc) na vida adulta, de acordo com médicos da Universidade de Southampton, na Inglaterra. As consequências de hábitos alimentares errados, como os longos períodos de jejum, são mais sérias na gravidez. “Alterações metabólicas que ocorrem nessa fase prejudicam o trabalho do pâncreas e favorecem o aparecimento da diabete gestacional”, avisa o ginecologista e obstetra Alberto d’Auria, do Complexo Hospitalar São Luiz, em São Paulo. O médico alerta que a gestante não pode ficar mais de três horas sem comer. “O ideal é que a cada três horas a grávida consuma barras energéticas, torradas, frutas”, sugere.
Quantas calorias acrescentar+ 285 calorias/dia, mantendo a atividade física+ 250 calorias/dia, com redução da atividade física+ 300 calorias/dia, entre o segundo e o terceiro trimestre
Necessidades nutricionais : Todas as vitaminas e os minerais são importantes durante a gestação, mas alguns nutrientes em quantidades diárias específicas contribuem diretamente para o desenvolvimento adequado do feto e a saúde da mãe.
60 gramas de proteínas
Necessidades nutricionais : Todas as vitaminas e os minerais são importantes durante a gestação, mas alguns nutrientes em quantidades diárias específicas contribuem diretamente para o desenvolvimento adequado do feto e a saúde da mãe.
60 gramas de proteínas
Fontes: leite e derivados, ovos, carnes, leguminosas e grãos 800 mg de
vitamina A
Fontes: fígado de boi, leite em pó integral, manteiga, queijo prato, couve, agrião, abóbora, cenoura e manga
70 mg de vitamina C
Fontes: acerola, goiaba, kiwi, laranja, mamão, morango, pimentão, repolho cru, couve refogada e couve-flor cozida
400 mg de ácido fólico
Fontes: gema de ovo, gérmen de trigo, brócolis cozido, farelo de trigo, espinafre cozido e repolho cru
1,2 mil mg de cálcio e fósforo
Fontes de cálcio: leite, queijo prato, iogurte, sardinha em conserva, brócolis e gema de ovo Fontes de fósforo: peixe, frango e amendoim assado
30 mg de ferro
Fontes: fígado de boi, beterraba crua, frango, gema de ovo, banana prata, feijão branco e melado de cana
Suplementos obrigatórios – Entre a sétima e a décima segunda semana de gravidez, os médicos receitam suplementos de ácido fólico, vitamina do complexo B que auxilia na formação dos glóbulos vermelhos e no desenvolvimento das células nervosas do feto, prevenindo malformações do sistema nervoso. “Alguns trabalhos científicos sugerem que a suplementação de ácido fólico é ainda mais eficaz se iniciada antes da gravidez”, informa Margareth Lopes de Paula. Para compensar a perda de sangue que ocorre no parto, prevenir a anemia, e ainda repor nutrientes na fase da amamentação, são indicados polivitamínicos e suplementos à base de ferro durante toda a gestação, até o terceiro mês de vida do bebê.
Exames do pré-natal – O primeiro exame de ultra-som é solicitado pelo médico a partir da confirmação da gravidez, ainda na primeira consulta do período pré-natal, para detectar o tempo correto de gestação e o tamanho do embrião. A partir disso, todas as gestantes devem fazer pelo menos mais três exames:
Translucência nucal, entre a 11ª e a 13ª.semana. Ajuda a detectar alterações nos cromossomos e doenças como a síndrome de Down. É feito com auxílio do ultra-som e mede a região da nuca do embrião.
Ultra-som morfológico, entre a 20ª. e a 22ª. semana. Exame que dura cerca de 40 minutos e analisa minuciosamente o feto e eventuais malformações.
Ultra-som convencional, às vésperas do parto. Para o médico se certificar que está tudo bem com o bebê.
Grávidas acima de 35 anos, de alto risco (pacientes diabéticas, que podem ter complicações como parto prematuro ou morte fetal intra-uterina, e gestante com hipertensão arterial, que pode engravidar, ter placenta calcificada e consequentemente feto com retardo de crescimento, por exemplo) ou com casos de doenças genéticas na família devem se submeter a exames mais sofisticados.
Teste de Coombs, até a 13ª semana, para mães com sangue RH negativo. O teste serve para avaliar o grau de resposta do organismo materno frente a um tipo de sangue que desenvolve na mãe anticorpos contra o sangue do feto. Caso o resultado torne-se positivo, durante a gravidez outros exames devem ser feitos e talvez até uma transfusão intra-uterina para salvar o feto. Amniocentese, a partir da 14ª. semana, para mulheres com mais de 35 anos que têm casos de doença genética na família, ou acima dos 38 anos sem histórico nenhum.
Grávidas acima de 35 anos, de alto risco (pacientes diabéticas, que podem ter complicações como parto prematuro ou morte fetal intra-uterina, e gestante com hipertensão arterial, que pode engravidar, ter placenta calcificada e consequentemente feto com retardo de crescimento, por exemplo) ou com casos de doenças genéticas na família devem se submeter a exames mais sofisticados.
Teste de Coombs, até a 13ª semana, para mães com sangue RH negativo. O teste serve para avaliar o grau de resposta do organismo materno frente a um tipo de sangue que desenvolve na mãe anticorpos contra o sangue do feto. Caso o resultado torne-se positivo, durante a gravidez outros exames devem ser feitos e talvez até uma transfusão intra-uterina para salvar o feto. Amniocentese, a partir da 14ª. semana, para mulheres com mais de 35 anos que têm casos de doença genética na família, ou acima dos 38 anos sem histórico nenhum.
Ultra-som em 3D, após a 22ª semana, para grávidas com histórico familiar de malformação, indicado como complemento do ultra-som convencional.
Ecocardiografia do feto, depois da 24ª. semana, em gestantes cardíacas ou com histórico familiar.
Pausas no trabalho – Se a gravidez estiver transcorrendo bem, não há necessidade de mudar o ritmo de trabalho. No entanto, mulheres que permanecem muito tempo sentadas ou em pé precisam fazer pausas estratégicas durante o dia. Os médicos aconselham parar de 15 a 30 minutos entre o café da manhã (que precisa ser reforçado por causa do jejum noturno) e o almoço e à tarde. “Durante a pausa, a gestante deve relaxar a musculatura com exercícios simples de alongamentos, ativar a circulação sanguínea com caminhadas, fazer lanches para evitar a queda do nível de açúcar no sangue e, de preferência, não ser solicitada durante o período de descanso”, explica Margareth Lopes.
Pausas no trabalho – Se a gravidez estiver transcorrendo bem, não há necessidade de mudar o ritmo de trabalho. No entanto, mulheres que permanecem muito tempo sentadas ou em pé precisam fazer pausas estratégicas durante o dia. Os médicos aconselham parar de 15 a 30 minutos entre o café da manhã (que precisa ser reforçado por causa do jejum noturno) e o almoço e à tarde. “Durante a pausa, a gestante deve relaxar a musculatura com exercícios simples de alongamentos, ativar a circulação sanguínea com caminhadas, fazer lanches para evitar a queda do nível de açúcar no sangue e, de preferência, não ser solicitada durante o período de descanso”, explica Margareth Lopes.
Emoções sob controle – De acordo com um estudo realizado pela médica Marjorie Sable, da Universidade de Missouri-Columbia, publicado na edição de novembro/dezembro do periódico Family Planning Perspectives, mulheres que ficam tristes durante a gestação têm 50% de probabilidade de o filho nascer com peso inferior ao normal. As chances aumentam para 73% nas gestantes, que por alguma razão, rejeitam a gravidez.
Como se vê, embora ainda não se saiba exatamente por meio de quais mecanismos, as emoções também interferem na gestação. Intensas alterações hormonais, insegurança em relação à saúde do bebê, mudanças do corpo e medo da gravidez e do parto deixam algumas mulheres mais sensíveis e ansiosas. Em geral, os receios vão sendo esclarecidos pelo médico. “Para tanto, é preciso haver sintonia e confiança entre a gestante e o obstetra”, observa Alberto d´Auria. O envolvimento e o companheirismo do pai também são decisivos para a saúde emocional da grávida. A médica Margareth Lopes costuma fazer o pré-natal do casal. “Peço exame de colesterol, hemograma, glicemia, peso, meço a pressão arterial do pai e sugiro que caminhem juntos. Tenho notado que o pai se sente mais importante no processo e se torna mais cúmplice e participativo. Além disso, a gestante fica mais tranquila”, diz.
Diário de dúvidas – Parte da ansiedade e da insegurança diminui consideravelmente se a grávida não der ouvidos a contos da carochinha. Existem milhões de obstetras, cada um deles com seu método de trabalho, milhões de mães cheias de experiências para contar. Se a gestante ouvir todas as opiniões enlouquece. Os médicos sugerem que a gestante escreva todas as dúvidas numa espécie de diário e discuta cada uma delas nas consultas com o obstetra.
Atividade física – Os exercícios são fundamentais na gravidez, especialmente a caminhada, o alongamento e a hidroginástica orientada (feita em hospitais ou em academias somente com gestantes). De acordo com especialistas, essas atividades fortalecem a musculatura, melhoram a função respiratória e relaxam. “A hidroginástica, em especial, prepara os músculos do períneo para o parto”, explica Alberto d’Auria. Os médicos não recomendam exercícios de musculação e de impacto, como a ginástica aeróbica.
Escolha da maternidade – Esse é um fator que costuma tranquilizar bastante a grávida. Convém visitar as maternidades onde o obstetra faz os partos, observar se elas são equipadas com unidade de terapia intensiva para mães e recém-nascidos, se contam com uma equipe de apoio (cardiologistas, infectologistas, por exemplo), aparelhagem de última geração e laboratório. “E também se a maternidade tem o perfil da gestante. Se ela for de uma família numerosa e barulhenta, não deve escolher um hospital com quartos pequenos e onde o número de visitas é limitado”, lembra Margareth Lopes de Paula.
O tipo de parto – Informação gera tranquilidade. Na opinião de Margareth, a gestante precisa saber que, se optar pelo parto vaginal, tudo pode evoluir normalmente e a criança nascer. Mas é possível que o bebê precise do auxílio de um fórceps de alívio. Ou, ainda, que na hora do nascimento não ocorra dilatação suficiente do colo do útero, por exemplo. Ou que o feto apresente sofrimento intra-uterino, exigindo uma cesariana.
Como se vê, embora ainda não se saiba exatamente por meio de quais mecanismos, as emoções também interferem na gestação. Intensas alterações hormonais, insegurança em relação à saúde do bebê, mudanças do corpo e medo da gravidez e do parto deixam algumas mulheres mais sensíveis e ansiosas. Em geral, os receios vão sendo esclarecidos pelo médico. “Para tanto, é preciso haver sintonia e confiança entre a gestante e o obstetra”, observa Alberto d´Auria. O envolvimento e o companheirismo do pai também são decisivos para a saúde emocional da grávida. A médica Margareth Lopes costuma fazer o pré-natal do casal. “Peço exame de colesterol, hemograma, glicemia, peso, meço a pressão arterial do pai e sugiro que caminhem juntos. Tenho notado que o pai se sente mais importante no processo e se torna mais cúmplice e participativo. Além disso, a gestante fica mais tranquila”, diz.
Diário de dúvidas – Parte da ansiedade e da insegurança diminui consideravelmente se a grávida não der ouvidos a contos da carochinha. Existem milhões de obstetras, cada um deles com seu método de trabalho, milhões de mães cheias de experiências para contar. Se a gestante ouvir todas as opiniões enlouquece. Os médicos sugerem que a gestante escreva todas as dúvidas numa espécie de diário e discuta cada uma delas nas consultas com o obstetra.
Atividade física – Os exercícios são fundamentais na gravidez, especialmente a caminhada, o alongamento e a hidroginástica orientada (feita em hospitais ou em academias somente com gestantes). De acordo com especialistas, essas atividades fortalecem a musculatura, melhoram a função respiratória e relaxam. “A hidroginástica, em especial, prepara os músculos do períneo para o parto”, explica Alberto d’Auria. Os médicos não recomendam exercícios de musculação e de impacto, como a ginástica aeróbica.
Escolha da maternidade – Esse é um fator que costuma tranquilizar bastante a grávida. Convém visitar as maternidades onde o obstetra faz os partos, observar se elas são equipadas com unidade de terapia intensiva para mães e recém-nascidos, se contam com uma equipe de apoio (cardiologistas, infectologistas, por exemplo), aparelhagem de última geração e laboratório. “E também se a maternidade tem o perfil da gestante. Se ela for de uma família numerosa e barulhenta, não deve escolher um hospital com quartos pequenos e onde o número de visitas é limitado”, lembra Margareth Lopes de Paula.
O tipo de parto – Informação gera tranquilidade. Na opinião de Margareth, a gestante precisa saber que, se optar pelo parto vaginal, tudo pode evoluir normalmente e a criança nascer. Mas é possível que o bebê precise do auxílio de um fórceps de alívio. Ou, ainda, que na hora do nascimento não ocorra dilatação suficiente do colo do útero, por exemplo. Ou que o feto apresente sofrimento intra-uterino, exigindo uma cesariana.
Postado por Bia às 07:14 0 comentários
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